18 de julho de 2010

To aqui...

Depois de tanto tempo sem escrever, tanta coisa pra dizer, mas sem motivação...aqui estou novamente.
Me impressionei um dia desses quando uma amiga me perguntou porque não escrevia mais neste blog. Numa questão de milésimos de segundos enquanto eu pensava "Sei lá... Nem havia notado!" fui surpreendida pela resposta dela "Sinto falta de ler seus posts..."
Neste momento, uma situação piegas e inesperada me aconteceu. Quase sem folego, busquei um pouco de oxigênio que parecia me faltar e respondi calmamente "Obrigada, querida. Quero voltar a escrever mesmo" e mudei de assunto.
Meu coração estava disparado, meu corpo havia aquecido de tanto sangue que corria dentro de mim e a sensação de satisfação e orgulho (vejam só... ORGULHO) tomavam conta de mim.
Talvez tenha sido, e isso é bem provável, um comentário despretensioso, carinhoso de uma amiga educada e gentil, sem compromisso com a realidade da ação.
Mas pra mim foi tão importante, me fez tão bem que não conseguiria descrever aqui, não saberia definir e redigir os gritinhos de satisfação do meu ego dentro do meu corpo. Cada som de exaltação que eu ouvia surgia como se houve outro em mim, personificado e se vangloriando das minhas próprias ações.
Então... dias depois desse encontro, pensativa de como é bom um elogio e de que podemos surpreender e até mesmo mudar a vida de alguém com simples palavras, com gestos singelos de delicadeza e de amizade me peguei travada... Não conseguia escrever. Cheguei a entrar no blog, mas nada...
Tudo isso porque a expectativa havia aumentado... Não era mais o meu blog onde eu não me preocuparia com um texto perfeito, agora tinha um leitor, real ou imaginário, mas pra mim era um leitor e isso me trazia responsabilidade e com isso a minha velha conhecida: a COBRANÇA.
Putz! Agora vou ter que ser perfeita, apesar de nunca conseguir. Tudo estava indo tão bem. Eu tava aqui na minha vidinha, nem me lembrava mais do blog, mas essa questão insiste em continuar aqui na minha cabeça. Ai pensei... se não vai sair por bem, agora vai sair por mal...
Comecei uma auto análise. Análise mesmo, daquelas que você busca recordações láááááá da sua primeira infância até os dias de hoje. Não foi tão difícil como imaginei, já que fiz inúmeras análises com psicólogos, aquelas com divã e tudo mais.
Percebi que desde muito cedo, mas muito cedo mesmo acreditei firmemente que se eu não conseguia atingir um alto grau de "especialização" e de acabamento naquilo que eu estava me propondo a fazer, então aquilo não era bom o bastante para ser apresentado à alguém.
Comecei a enumerar: natação, pintura em tecido, violão, catequese, dança, pintura em tela, xilogravura, desenho, fotografia, arte eletrônica, teatrinho, lecionar, estudar para concurso, mestrado, performance, escrever...
Em nada disso eu conseguia perceber alguma qualidade, ou melhor, habilidade em mim.
Não terminei nada disso... A faculdade, quando ainda cursava, pensei em abandonar por não me achar digna o suficiente para estar ali.
Vocês podem estar pensando: Falta de força de vontade dela! E lhes digo... Estão certos!
Não vou ficar aqui me justificando, porque a verdade é essa, mas o motivo, a razão de eu ter esse pequeno modo de ver a vida eu ainda não identifiquei. Fico pensando, remuendo e sinto raiva, pois lá no meu interior existe alguém que quer ser visto.
Talvez seja aquele outro que eu disse lá em cima que gritou, pulou, que me sentir orgulho como se não fosse eu mesma.
No fim das contas, a conclusão que eu cheguei é que talvez uma terapia ainda seja necessária aqui, heim?

Nenhum comentário: